Dias desses (há 1 hora atrás) eu estava voltando para casa do serviço quando, no subúrbio se encontra de tudo, entro no ônibus e sento ao lado de um rapaz.
Até aí tudo normal, porém percebo que o distinto rapaz está com o teor etílico em seu sangue um pouco carregado. Esse moço começou a me incomodar quando, com seu maravilhoso destilar de odor etílico, começou a falar sozinho em minha direção, antes que você pense qualquer coisa, não ele não estava falando comigo, mas me contive e nada fiz e segurei minha ânsia.
Viagem para casa seguindo linda e maravilhosa quando de repente escuto um colóquio no banco localizado atrás do que eu me localizava. Uma típica moça estava a prosear com sua colega dizendo que precisava, e muito, visitar um centro de umbanda que naquela rua estava localizado.
O distinto rapaz vira-se e diz:
-Mas moça você não é da umbanda, você não é dessas coisas que eu sei.
Neste momento senti um gelar subir minha espinha, pressentindo maus fluídos vindo.
A típica senhorita responde-o da seguinte forma:
-Não sou mesmo, sou do candomblé, mas quero ir nesse centro de umbanda.
Longe de mim ter preconceitos quanto a isso, pois nem diferenciar um centro de umbanda de um de candomblé eu sei, mas eis que um senhor que estava em uma diagonal direcionada a meu sudoeste sente-se ofendido pela opção espiritual da típica senhora.
Nesse momento presenciei a nuvem com forte carregamento de chuva de climão. A senhora, que nesse momento em nada se parecia com a típica do começo da viagem, se vira para o senhor que a meu sudoeste estava localizado e destila uma série de palavras nada gentis.
Foi aí que me perguntei. Necessitava mesmo que minha normalmente tranquila viagem de volta ao meu lar fosse recheada de tantas emoções e temporais de climão? Creio que não.
Mas fiquei com questionamentos em minha mente sobre o por que de tudo isso ter acontecido. Talvez seja a implicância e o pré-conceito que ocorre contra essas religiões supostamente ligadas a macumbaria, como a umbanda, o candomblé, ou qualquer outra do gênero que talvez eu esteja esquecendo de citar. Eu não sou adepto dessas religiões, tal como supracitei, mal sei diferenciar uma de outra, ainda mais ser adepto.
Mas o que ocorre aqui é a falta de respeito ao próximo, pois mesmo sendo mais propenso ao cristianismo, como o senhor a sudoeste deveria ser, não suporto ver o pré-conceito com as minorias, coisa que muito presencio no meu cotidiano. Logo tomo partido da senhora, ela era desequilibrada emocionalmente como demonstrou em suas respostas, porém era mesmo de suma importância o senhor com tendencias cristianísticas criticar a opção espiritual de sua parceira de viagem?
Não vejo dessa forma, creio que houve uma falta de respeito as palavras de super "bom gosto" que escutei da antes típica senhora, porém acho totalmente plausível a atitude tomada ao ser criticada por um senhor que mal a conhece.
Sou a favor da liberdade de expressão, de atitude e em todos os âmbitos possíveis e imagináveis. Porém ainda tenho como verdade maior em minha moral que a sua liberdade acaba onde começa a minha. Estarei defecando para suas macumbas, orações, rezas, atitudes ou qualquer outra coisa que possa provir de vossa pessoa, DESDE QUE não me confronte, me ataque, que de alguma forma tire minha liberdade opinativa ou invada-a.
Declaro minha afeição aos que usufruem de sua liberdade sem interferir na do próximo. Parece fácil na teoria, porém cada ser é um ser diferente em suas maneiras de pensar e agir, o que pode dificultar a vida em coletividade. Mas creio que podemos usar o bom-senso e atender as expectativas exteriores sem deixar as interiores de lado.




